Responsáveis e professores do INSP Kids participam de palestra com Psicóloga para auxiliar as famílias durante o período de ensino remoto

03.06.2020

 

Fortalecendo ainda mais a parceria família-escola em uma ação acolhedora, o Insp convidou a Doutora em Psicologia e Professora da PUC Minas, Mirelle França Michalick-Triginelli para participar de um bate-papo com pais e responsáveis da Educação Infantil para ajudá-los a organizar a rotina familiar com crianças pequenas durante o período de ensino remoto. 

 

A  especialista falou sobre várias temáticas relativas ao momento delicado que a humanidade atravessa, como o desafio de organizar uma rotina diária que contemple a conciliação de home office, home schooling, tarefas domésticas e cuidado com filhos. 

 

“ As crianças estão se beneficiando com o convívio familiar, não desprezem o valor disso. Construam, junto com os filhos e por meio do diálogo, os combinados que vão ajudá-los a entender a importância da rotina”, aconselhou Mirelle. 

 

Segundo ela, essa rotina deve ser organizada dentro do espaço do qual a família dispõe. As aulas e atividades do regime não presencial são uma oportunidade valiosa de estimular a autonomia das crianças e ajudá-las a entender e lidar com suas emoções. A especialistas listou algumas dicas valiosas que ajudarão a construir uma rotina benéfica para todos.

 

Organização. Cada família tem uma dinâmica própria mas, se possível, mantenha a rotina de atividades escolares remotas no mesmo horário da presencial. Caso não possa, não se cobre estar auxiliando o tempo todo, mostre à criança que ela pode fazer. Trazer ludicidade para esse momento ajuda, mas deixe claro que não é diversão, é responsabilidade e tem que ser feito. Isso ajuda na organização da criança. É importante, também, explicar o que está acontecendo, que não se trata de um período de férias.

 

Flexibilidade. Nesse momento, o rendimento é de outra ordem. Não se preocupe se a criança está conseguindo, ou não, executar as tarefas com perfeição, os ganhos virão com certeza, paulatinamente. 

 

Acolhimento. Olhar com bons olhos o que ele está conseguindo fazer e ter paciência com as dificuldades. Nessa fase de aprendizagem, de modo geral, não existe atraso. Não se preocupe em medir o desenvolvimento, mas em manter a rotina de estudos. Se a criança estiver desmotivada, ajude-a a aumentar a atenção e a motivação para a tarefa. 

 

Valorização. Quando for executar as atividades, ressalte que a professora preparou para ele e os colegas de turma com o maior carinho. Assim, a criança percebe que aquilo foi feito para ela, reforça o afeto e o pertencimento.

 

Estímulo. Para Piaget, as crianças entre 3 e 6 anos são pequenos cientistas. Querem testar o mundo. Alimente essa curiosidade com a ajuda imprescindível das atividades enviadas pela escola. Estimular a curiosidade é oferecer alternativa para a manutenção dessa curiosidade, se seu filho pergunta, questiona e se envolve, já é um sucesso.

 

Liberdade criativa.  O ócio é fundamental como exercício livre de pensamento. Nessa fase, chega a ser mais valioso do que adquirir habilidades de leitura e escrita. É por meio dele que a criança faz o exercício de pensar o mundo, criar e resolver dilemas imaginários. Esse processo deve ser livre, sem impor soluções prontas nem limitar com conceitos e preconceitos que só pertencem ao mundo adulto. Não apresente respostas, deixe a criança pensar livremente. 

 

Códigos de comunicação. Construir uma simbologia ajuda muito os pequenos a perceberem os limites. Uma sugestão, por exemplo, é a comunicação por com cores. “ Explique que, quando estiver trabalhando  e não puder ser interrompida haverá um papel vermelho em cima da mesa. Caso possa haver interrupção, será verde. E se ocorrer alguma urgência para um momento “vermelho”, combine um gesto com o qual a criança possa sinalizar que não é possível esperar”, exemplificou. 

 

A manutenção da saúde mental foi um tema recorrente no bate-papo. É um equívoco achar que durante a pandemia conseguiremos manter a mesma produtividade. “Estamos vendo muitos casos em que a maioria das pessoas, mesmo sem sair de casa, enfrentar engarrafamentos e afins, apresentam um nível maior de cansaço físico e mental. Isso se dá por conta de vários aspectos que envolvem esse momento de instabilidade. O foco é fazermos da melhor forma aquilo que damos conta e entender que, às vezes, há coisas que não conseguiremos realizar”, explicou ela. 

 

A psicóloga ressaltou a importância de certas posturas que ajudam o bem-estar físico e emocional. 

 

Culpa. No senso comum, muitas vezes mãe e culpa são sinônimos. Esse sentimento vem de um ideal de perfeição que nos afasta da condição humana. Não é preciso estar 100% do tempo atenta, disponível, paciente. Todos temos imperfeições e limitações, tem coisas que não damos conta e está tudo bem, faz parte. Mãe super-heroína não ensina humanidade e é importante ser um modelo de humanidade para que os filhos sejam humanos, num sentido moral. 

 

Sobrecarga. Os jovens adultos são as pessoas que mais têm demandas, estão no auge da vida produtiva e lidam com casamento, filhos, trabalho, familiares, em alguns casos com pais idosos. Essa é a fase mais estressante da vida. Alguns conseguem montar redes de apoio, com amigos, parentes e colaboradores, que nesse cenário não podem ser ativadas. Reservar um momento do dia para si, por menor que seja, ajuda a dar um equilíbrio. 

 

Alternativas. A  imprevisibilidade do momento é muito grande e criar estratégias alternativas, como incluir as crianças nas atividades domésticas, ajuda a dar certa estabilidade. 

 

Interação. Videochamadas para as pessoas que são importantes para nós dão sensação de bem-estar. Melhor ainda se as criança puderem ser incluídas nesse momentos de troca de afeto.

 

Ansiedade. Muitos estão preocupados em achar informações sobre quando a situação se normalizará, como está a Itália etc. É aconselhável restringir o acesso às informações a uma vez ao dia, cientes de que a tomada de decisões não nos compete, não podemos regular o incontrolável, essas horas pode ser dedicadas a cuidar de outras questões. 

 

As crianças sofrerão com a volta? O retorno à vida normal não se dará repentinamente, será um processo, uma construção de novas relações sociais. Dá para dizer que não será assim para sempre, mas a vida como era antes parece um modelo distante, já que todos estarão transformados a partir dessa experiência, pelas perdas e ganhos. “A tendência, é que valorizemos as aproximações sociais, o retorno será celebrado, mas não ocorrerá sem riscos, Não conhecemos o curso dessa doença”, alertou Mirelle. 

 

A coordenadora da Educação Infantil, Roberta Carpintéro, agradeceu a presença de todos e lembrou a importância de se fortalecer os laços que unem famílias e escola em prol do bem-estar geral, em especial das crianças. Ressaltou também que todos podem contar com o INSP e toda sua equipe para receberem assistência e apoio.

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